terça-feira, 17 de março de 2020

Terê

      Em nossos atendimentos é muito comum tratarmos as vidas passadas dos consulentes. A vida imediatamente anterior geralmente exerce muita influência na vida atual, embora outras vidas passadas também influenciem. É muito difícil datar com exatidão uma vida passada, geralmente pelo tipo de vestuário e tecnologia temos uma ideia do período, mas quando ocorreu algum evento de histórico que se relacione ao atendimento fica mais fácil.

1870 - African slave woman in Brazil (by Alberto Henschel)


    Estamos tratando uma mulher com depressão crônica e sua vida passada pôde ser datada com alguma exatidão devido a um fato relacionado a escravidão, mas especificamente a Lei do Ventre Livre, promulgada em 1871, que dizia que toda criança de mãe escravizada seria considerada automaticamente livre.
    A consulente era de família de fazendeiros escravocratas e seu pai como praticamente todo dono de escravos, teve ao menos um filho com uma escrava da Casa Grande, uma menina, que tinha quase a mesma idade da consulente. Essa menina nasceu depois da promulgação da Lei do Ventre Livre, e embora tecnicamente fosse livre, sempre foi tratada como escrava, pois nunca recebeu salário, trabalhava por casa e comida. Seu nome era Terê.
     A consulente naquela vida nunca executou nenhum tipo de trabalho doméstico, na verdade nunca executou trabalho algum, pois sempre teve uma escrava doméstica. Quando ela cresceu e se casou levou Terê para trabalhar na casa dela. Diziam que ela era parte da família, e Terê cuidou dos filhos da consulente, que teve quatro, e ainda fazia todo o serviço da casa, limpava e cozinhava.
      Terê morreu de velhice, nunca teve sequer um namorado, não teve filhos e nem uma família dela, mas ela fazia parte da família diziam seus patrões, embora nunca tivesse sentado à mesa com eles ou sequer conversado de igual para igual. Nasceu livre mas sempre foi escrava.
      No astral Terê foi amparada por espíritos de negros que viviam num quilombo. Deram a ela uma casinha no quilombo, mas Terê vivia muito isolada porque ela não se via como um deles, eles eram negros e ela teve um pai branco, sua mãe lhe contou, e sua patroa dizia que ela era parte da família. Eventualmente ela participava de algum trabalho coletivo, por muito insistirem, mas ela não queria estar ali, sentia que aquele não era seu lugar.
     Por isso Terê procurou o que ela imaginava ser sua família, a patroa a quem ela serviu a vida toda, e que lhe dizia que ela era da família. E por efeito do que chamamos em apometria de ressonância vibratória, a consulente sintonizou com a energia da Terê, passando a se sentir exatamente como ela, solitária, sem perspectiva nenhuma de vida, sem vontade de viver, pois não teve nada em vida, não teve amor, não teve nada.
     Conversando com Terê ela nos disse que não gostava de negros, eram feios disse ela, eram inferiores. Mas tu é negra também, eu lhe disse, e ela respondeu que apesar de não ser branca ela era diferente, não era como eles. Ela fazia parte da familia da patroa, retrucou. Argumentei com ela que na verdade essa família se aproveitou dela e sempre a tratou como escrava, pois ela nunca teve liberdade, vivia em função de servir a essa família e trabalhava por casa e comida.
     Ela chorou, disse que não, que ela era parte da família sim, queria ir embora, não queria falar mais comigo, disse que eu estava falando o mesmo que os negros disseram a ela. Eu a acalmei e a fiz lembrar de sua vida anterior para tentar mudar a sintonia dela.
     Terê lembrou de sua vida anterior onde era uma mulher livre na África, era de uma tribo de mulheres caçadoras, teve filhos, era uma mulher corajosa e valorosa em sua tribo, até que foi capturada e trazida como escrava para o Brasil.
      Ela nunca aceitou a escravidão e sempre foi rebelde. Foi vendida para um dono de fazenda, tentou fugir algumas vezes, e vendo o dono que ela não seria "domesticada", resolveram usá-la como exemplo para os demais não tentarem fugir. Foi severamente castigada no tronco, onde agonizou até a morte. Essa fazenda era a mesma onde ela acabou reencarnando como Terê.
     Mas naquele tronco não mataram apenas seu corpo, mataram sua alma. Depois de morta ela não queria mais ser quem ela era, não queria mais ser negra. Negro sofre muito ela disse, não quero mais nascer negra, quero nascer branca, por isso não quero ficar perto dos negros senão vou nascer negra novamente, disse aos prantos.
    Os espíritos ancestrais africanos que trabalham conosco vieram buscá-la, mas Terê não queria ir com eles. Disse a ela para conversar com eles, mas ela estava relutante e só aceitou quando eu lhe garanti que se depois de conversar com eles ela ainda quisesse nascer branca eu faria isso acontecer.
      Este é um exemplo de como a escravidão afetou profundamente os espíritos que a ela foram submetidos, não só em termos sociais e econômicos, mas psicologicamente, a ponto da pessoa renegar o que é, de tanto sofrimento por que passou. 
     Quanto a nossa consulente, naquela vida ele morreu alguns anos depois da Terê, mas não percebeu que estava morta, ficou vivendo tranquilamente em sua casa, até que a puseram a venda e começaram a tirar os móveis. Ela então pensou em questionar os filhos do motivo de estarem fazendo isso, mas claro nenhum deles lhe respondeu pois não a viam, ela se irritou e acabou saindo de perto deles, tendo ficado vagando sem rumo no astral, indignada pelos filhos estarem vendendo seus móveis.
     Nesse meio tempo um homem que já havia sido seu marido em outra vida estava encarnado, teve um relacionamento com uma mulher e acabou atraindo o espírito da consulente para o renascimento, que é sua vida atual. Na vida onde seu pai era seu marido, a mãe da consulente na vida atual era a amante dele e a consulente nutria um ódio muito forte por ela.
     Assim funciona a reencarnação e é assim que o karma age. A consulente não foi resgatada para nenhuma colônia, foi atraída para a reencarnação sem nem ter tido conhecimento de que esteve morta, nasceu filha de uma mulher que foi amante de seu marido em outra vida e que ela odiava, e ainda atraiu para si um espírito que ela praticamente escravizou na vida anterior, passando a sofrer junto com ele de depressão e solidão.
    Perguntas como por que nascemos em determinada família e por que passamos por determinadas situações, só são respondidas se devassarmos nosso passado e a apometria é uma ferramenta de excelência para esta finalidade, pois nos permite ver os erros cometidos e repará-los de alguma forma. 



Gelson Celistre

2 comentários:

  1. Então, todas as explicações que André Luiz nos dá em seus livros são mentiras? isso de nascer apenas por estar perto não significaria que há desordem no astral? e aquela descrição dada por André Luiz do trabalho para reencarnar um espírito, é mentira ou privilégio de poucos? o karma é mais forte que os "espíritos superiores"?

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  2. Não creio que as informações do André Luiz sejam falsas, mas está errado quem acredita que aquilo que ele relatou acontece com todas as pessoas. É uma interpretação equivocada. Quem vai para alguma colônia tem que seguir as normas do local, então podem ter que efetuar algum tipo de trabalho para obter o tal bônus-hora. E sim é um privilégio pois a maioria não vai para colônia nenhuma, e ainda muitos que vão é para cidades no baixo umbral, até piores que as cidades que temos aqui no físico. E mais uma vez sim, o karma é mais forte que qualquer espírito, inclusive os "superiores".

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