sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Karma

     Karma é um termo do idioma sânscrito, da Índia, e significa ação. Num sentindo mais amplo o karma é uma lei espiritual que diz que toda ação gera uma reação que retorna a quem cometeu o ato, ou seja, tudo o que você fizer, de bom ou ruim, vai voltar para você. Tudo é energia e toda energia que geramos ou movimentamos, tudo que sai de nós, vai percorrer um espaço/tempo e vai voltar para nós. Não importa qual a sua religião, se você acredita ou não, todos estamos sujeitos à Lei do Karma, também conhecida como Lei do Retorno.



    O karma pode ser dividido em quatro categorias: passado, presente, imediato e futuro.
  • karma passado (sanchita) - correspondente ao karma acumulado em nossas vidas passadas e ainda não processado, isto é, ainda não está sendo resgatado.
  • karma presente (prarabdha) - correspondente ao karma que está sendo processado, ou seja, gerado em vidas passadas e que estamos resgatando atualmente nesta encarnação.
  • karma imediato (kryiamana) - correspondente ao karma gerado e processado na vida atual, é aquele onde o intervalo de tempo entre a causa e o efeito se dá na mesma encarnação, ou seja é gerado e resgatado numa mesma vida.
  • karma futuro (agama) - correspondente ao karma gerado na vida atual mas que vai ser resgatado numa vida futura. 
     O karma passado acumulado (sanchita) é processado lentamente e pode ser modificado, porque as ações que adotamos no presente também vão sendo acumuladas no reservatório kármico, neutralizando ou agravando os efeitos das causas ali armazenadas.

     O karma presente (prarabdha) é aquele destacado do reservatório (sanchita) para ser eliminado ou resgatado, sendo que para a grande maioria das pessoas aqui na Terra ele é gerado automaticamente pela Lei do Karma, ou seja, a pessoa não tem nenhuma ingerência sobre onde vai nascer, quem vão ser seus pais, com que espíritos ela vai conviver, etc. O karma presente (prarabdha) por sua vez se subdivide em 3 tipos:
  • Uma maior parte fixa e inevitável, que não pode ser alterada.
  • Uma parte que pode ser mudada e evitada, embora exija um grande esforço de vontade ou uma grande expansão de consciência.
  • E uma pequena parte variável, que pode ser alterada dependendo de outras ações adicionadas ao karma acumulado e de interações com o karma coletivo. Este depende do karma familiar, nacional, etc., e da relação entre estes e o nosso karma individual.
     O karma imediato  (kryiamanaé o toma-lá-da-cá, o sujeito deu um empurrão em outro e levou um soco de volta, roubou e foi preso, chutou uma pedra e quebrou o dedo do pé, etc. 

     O karma futuro  (agamaé aquele que estamos gerando hoje e que vamos resgatar em outras vidas. É sobre este que temos maior controle pois nas poucas coisas sobre as quais exercemos realmente nosso livre-arbítrio podemos gerar um karma positivo que vai contrabalançar o karma negativo acumulado em vidas passadas (sanchita). Se agirmos bem na vida atual podemos ter uma vida melhor na próxima encarnação.


     A Lei do Karma não tem uma função punitiva como pode parecer a princípio mas sim visa o equilíbrio, visa harmonizar as energias que existem no universo, onde a cada ação corresponde uma reação igual e contrária. 


     Mas onde fica acumulada toda essa energia que chamamos de karma?


     O reservatório kármico está constantemente ligado a nós, a grosso modo é como se fosse uma mala que carregamos o tempo todo. Esse reservatório contém níveis de profundidade onde se localizam os karmas que temos que resgatar, isto é, as energias que carregamos. As energias mais densas, fruto de más ações, ficam mais no fundo, enquanto que as mais leves, frutos de pequenas infrações à Lei do Karma, ficam mais na superfície e são resgatadas mais rapidamente. Existem outros fatores mais complexos a considerar mas basicamente é assim que funciona.

     As energias densas acabam demorando mais tempo, mais encarnações para amadurecerem e serem resgatadas. Isso é um benefício para nós pois se fizermos boas ações elas também vão para o reservatório kármico como energias positivas e amenizam as energias negativas que estão lá. Por conta disso, quando resgatamos algo de muito ruim que fizemos no passado geralmente o que retorna para nós é apenas uma parte do que efetivamente fizemos a outras pessoas. Além disso existe um limite energético e fisiológico de energias com as quais podemos lidar numa encarnação então não é possível resgatarmos todo o karma negativo de uma vez só e acabamos recebendo de volta um pouco em cada vida até eliminá-lo totalmente. 
     Como sempre cometemos mais erros e geramos mais karma negativo entramos num círculo vicioso e vamos precisar de mais encarnações em corpos densos para resgatar todo o karma negativo. Isso vai nos manter mais tempo em mundos primitivos e pouco evoluídos como a Terra.


  Mas quem define qual karma vai ser retirado do reservatório sanchita e transformado em prarabdha, ou seja, quem decide qual karma vamos resgatar em uma encarnação? 

     A resposta é complexa pois depende de vários fatores, como o nível do reservatório kármico, o grau evolutivo do espírito, o karma do grupo familiar onde ele está inserido, etc. O grupo familiar não é necessariamente a família consanguinea, mas um grupo de espíritos que estão ligados por fortes laços kármico-emocionais e que vem reencarnando juntos em várias existências onde se encontram e interagem entre si, não somente como familiares tipo pais/filhos, irmãos, tios, marido;mulher, etc., mas como amigos ou companheiros de negócios ou prazeres.

     Um exemplo: um homem que estupra e assassina crianças vai gerar o karma de sofrer a mesma coisa em uma vida futura, ser estuprado e assassinado quando criança. Quando cometeu estes atos ele já criou esse karma que vai ficar armazenado no reservatório até ser processado, ou seja, até chegar o momento favorável dele ser resgatado. Quando ele morrer provavelmente vai ser obsidiado pelos espíritos de suas vítimas e de pais e parentes delas e devido ao seu desvio de caráter sexual e moral, vai ser atraído para algum local aqui da crosta terrena afim com sua própria energia, que é de desvio sexual e assassinato. 

     Pode ser filho de algum bandido ou outro tipo de pessoa violenta. Então esse sujeito provavelmente vai ser abusado pelo pai ou algum outro homem que frequente sua casa desde tenra idade, talvez ainda bebê, pode ainda nascer numa família tão vil que seja vendido para algum prostíbulo quando criança ou pode ser um menino de rua que vai sofrer todo tipo de privação e sofrimento, que vai envolver abuso sexual e provavelmente vai morrer de forma violenta, sendo estuprado talvez.
     Mas o caso é que essa energia distorcida sexual e de morte violenta ele carrega consigo desde o nascimento. É como se ele fosse um rádio ou tv que ficasse constantemente transmitindo sons e/ou imagens de crimes sexuais e assassinatos. Se ele está inserido num meio onde essa energia é muito forte, alguma pessoa que conviva com ele vai captar esses sons/imagens e se for uma pessoa depravada como ele vai sentir um forte impulso de fazer essas coisas com ele. 
     É por conta disso que vemos às vezes casos de bebês que são violentados e mortos pelos próprios pais. Nesses casos a energia emanada pelo bebê, de depravação sexual e morte, é tão grande que a pessoa que a captou não consegue resistir. Até mesmo porque muitas vezes quem comete o ato foi vítima daquele espírito em vida passada.
     Todos nós somos transmissores/receptores e estamos continuamente transmitindo nosso karma presente (prarabdha)) para quem quiser ou conseguir captar. Do mesmo modo estamos constantemente captando o karma das pessoas com quem nos relacionamos e reagindo a ele. Algumas vezes captamos o karma negativo de uma pessoa e reagimos instintivamente, como se estivéssemos funcionando em modo automático, revidando de forma negativa, outras vezes mesmo captando uma energia ruim de outra pessoa que nos provoca, conseguimos perdoar ela e não reagimos negativamente.
     Já atendemos muitos casos de mulheres que reclamam que sempre acabam se envolvendo com homens ruins de um mesmo tipo, ou homens que bebem (alcoólatras), ou homens violentos que as agridem, etc. Por que isso acontece? Porque elas atraem esses tipos de homens. Se a mulher está resgatando um karma que envolve alcoolismo por exemplo, ela está constantemente emitindo imagens de pessoas bebendo e vai atrair homens que bebem porque eles vão captar essa emanação dela. Esse karma vai se repetir até que ele seja resgatado.

     E como se resgata um karma? 


     O karma é uma ação que cometemos. É uma energia que emanamos e que no caso do karma presente está voltando para nós para que seja eliminado. Para eliminar uma energia você tem que absorvê-la. Ela saiu de você e só vai fechar o ciclo quando ela voltar para você.

     O segredo para não sofrer é a maneira de receber essa energia ruim que retorna. Nós somos um sistema energético dinâmico, nossas energias estão em constante movimento e alterações diversas, às vezes estamos alegres, às vezes tristes, ou com raiva, ou tranquilos, enfim, nossa frequência emocional varia numa determinada faixa para cima ou para baixo.
     Se ao recebermos de volta uma energia negativa, isto é, se temos que resgatar um karma negativo e estamos com nossa frequência baixa, nós potencializamos essa energia ruim que estamos recebendo. Por outro lado, se estivermos com nossa energia boa, positiva, ela vai amenizar a energia negativa que está retornando.
     A questão chave para resgatar um karma é esgotá-lo. Se você conseguir receber de volta uma energia ruim sem reclamar, sem se achar injustiçado, sem desejar que o outro sofra ou "que Deus faça justiça", aí sim você resgatou esse karma. Mas isso é muito difícil de acontecer. Quando é alguma coisa banal com alguém não muito próximo é até fácil perdoar e eliminar esse karma, mas quando é alguém com quem temos forte ligação emocional, como esposa/marido, irmão/irmã, amigos e parentes mais próximos, aí é complicado. 
     Ou então quando estamos resgatando aquelas energias mais densas que estavam acumuladas em nosso reservatório kármico e que às vezes emperram nossa vida. Já peguei vários casos de pessoas que não conseguem adquirir bens ou quando conseguem é com muita dificuldade a ainda assim acabam perdendo. E as vezes são pessoas boas atualmente e que até se esforçam, mas que em vidas passadas foram banqueiros ou empresários que deram desfalques em seus clientes ou que eram vigaristas e lesaram muitas pessoas. Esses casos são difíceis de aceitar e a pessoa muitas vezes acaba repetindo atitudes ruins de outras vidas, o que mantém o ciclo kármico ativo.
     Além disso, precisamos considerar que todos nós estamos interligados uns aos outros. Temos um fio que nos une a cada ser que já se relacionou de alguma forma conosco, nem que tenha sido por um segundo apenas, esteja este ser vivendo em um corpo físico ou astral. Disso resulta que trocamos energias com todos estes seres e também com aqueles que 'vibram' na mesma frequência que nós, com todos que têm pensamentos e sentimentos semelhantes no mundo todo, em todas as suas dimensões.
     É preciso considerar que toda energia que emitimos percorre um caminho até voltar a nós e sempre vai voltar mais energia do que emitimos pois nesse caminho ela interage com outras energias. As boas ações geram energias positivas de alta frequência com um alcance muito grande enquanto que as más ações geram energias de baixa frequências, densas e pesadas. Por isso o alcance de uma boa ação é muito superior ao de uma má ação. Agindo bem, fazendo boas ações, podemos reduzir consideravelmente nosso saldo kármico negativo. 
     Na prática somos todos agentes kármicos uns dos outros. Quem está mais evoluído espiritualmente consegue não reagir ao karma negativo do outro e assim não serve de instrumento kármico de coisas ruins, deixando de gerar para si mais karma negativo. Agindo assim nós não aumentamos nosso reservatório kármico com energias negativas e cada coisa boa que fizermos vai diminuindo nossa energia kármica negativa e assim vamos nos tornando pessoas melhores.

     O que define se uma ação nossa é boa ou má karmicamente depende principalmente da intenção com que a praticamos. Se dois amigos estão mexendo em um arma e ela dispara acidentalmente, matando um deles, o que disparou a arma não gerou um karma de assassinato e sim de negligência ou imperícia. O outro morreu assim porque tinha um karma de morrer com arma de fogo que foi processado quando mexiam na arma, as energias que acompanham e emanam a arma acionaram o karma. Agora se o que disparou "acidentalmente" no fundo quisesse matar o outro por algum motivo, talvez por conta de alguma mulher ou dinheiro, aí mesmo que aqui no fisico fosse julgado inocente por ter sido o disparo "acidental", karmicamente ele contraiu um karma de assassinato.
     O desejo de se fazer alguma coisa, a intenção, qualifica então o ato karmicamente. No exemplo anterior um dos homens foi instrumento para que se realizasse o karma do outro, mas se foi acidental ele não tinha intenção de matar e não associou emoção ao ato. Nesse caso ele não vai emitir uma energia do tipo morte por arma de fogo, mas sim de imprudência, negligência, etc.


     Mas e o livre-arbítrio? Então eu não posso mudar meu destino?

      O livre-arbítrio é uma conquista do espírito e é proporcional ao seu grau evolutivo. À medida que formos evoluindo, e isso não é algo que se consiga nesta mesma vida ou dessa para uma próxima, teremos condições de escolher que tipo de karma iremos resgatar em determinada vida e iremos tendo cada vez mais 'controle' sobre nossas encarnações. Atualmente entretanto, somos levados pelo nosso primitivismo espiritual e não temos como evitar a maior parte dos acontecimentos de nossa vida.
     Quando agimos caritativamente em prol de nossos irmãos, fazendo boaos ações, estamos acumulando karma positivo em nosso reservatório (sanchita) e reduzindo nosso saldo devedor na balança cósmica, propiciando inclusive a alteração da parte do nosso karma atual (prarabdha) que pode ser modificada pela interação com o karma coletivo.  
     Como eu disse antes o karma presente (prarabdha) tem uma parte fixa e inevitável que não pode ser alterada, mas tem outras partes que podem ser alteradas com muito esforço da pessoa e outra ainda que depende do karma coletivo.
     Essa parte fixa não tem a mesma proporção em todas as pessoas. Quanto mais evoluído espiritualmente menor vai ser essa parte do karma que não pode ser alterada e mais domínio sobre nossas vidas nós teremos. Quanto menos evoluído menos controle sobre o próprio destino (o karma presente).
     Então o nosso destino pode sim ser alterado por nossas ações; mais ou menos dependendo do grau evolutivo de cada espírito.
     
Gelson Celistre
     

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Desenvolvimento da mediunidade

     Um dos karmas negativos mais comuns é a mediunidade. Sim, a mediunidade não é um dom de pessoas mais espiritualizadas que as outras e sim um karma negativo oriundo de más ações efetuadas em vidas passadas. A mediunidade pode ser ostensiva, quando é possível de ser percebida por manifestações várias como incorporação, vidência, audiência, etc., ou seja, a pessoa vê vultos ou ouve barulhos, que ninguém mais vê ou ouve, com frequência e certa regularidade. Mas a mediunidade também pode ser dissimulada, quando esses eventos ocorrem raramente ou ocasionalmente, sem regularidade ou frequência.


     Quem não possui a mediunidade ostensiva possui a dissimulada pois todos nós, em maior ou menor grau, conseguimos nos comunicar ou sentir os espíritos ao nosso redor , mas chamamos de médiuns as pessoas que possuem uma mediunidade ostensiva.
     Mas o tipo de mediunidade com que mais nos deparamos em nossas consultas é a mediunidade sensitiva negativa. A mediunidade sensitiva negativa é um tipo de mediunidade dissimulada onde a pessoa não vê espíritos, não ouve, não incorpora, mas sente os efeitos da presença dos espíritos em seu corpo físico, através de dores ou doenças provocadas pela energia dos espíritos que dela se aproximam ou que a acompanham.
     A princípio quem tem sensibilidade mediúnica pode sentir tanto a presença de espíritos bons quanto de ruins. No caso de um médium, teoricamente, ele pode perceber se um espírito que se aproxima dele é bom ou ruim pela energia que emana desse espírito e que ele capta. Na prática entretanto observamos que a grande maioria dos médiuns não tem a capacidade de perceber a índole do espírito.
     Os médiuns costumam perceber com facilidade a energia do espírito quando ele é emocionalmente descontrolado, como m espírito que chega com muita raiva ou ódio, ou ainda um que está em grande sofrimento ou energeticamente esgotado. Mas se o espírito tem algum controle sobre si e consegue se apresentar ao médium com a aparência que quiser, observamos que os médiuns são facilmente enganados por espíritos ruins, das trevas, que se apresentam como mentores ou guias, com a aparência que mais agrada ao íntimo do médium.
     Esses espíritos enganadores ou mistificadores se apresentam então como se fossem padres, médicos, caboclos, pretos-velhos, mestres ascensionados, extra-terrestres, etc., dependendo do local onde o médium frequenta ou o tipo de crença íntima que ele tem. A maioria dos médiuns é presa fácil da vaidade porque além da mediunidade ostensiva que possuem, querem "ostentar" uma entidade de luz como seu mentor ou guia.
     Já nos deparamos com inúmeros casos onde o espírito que se apresentava como mentor ou guia do médium era na verdade um obsessor, um inimigo dele que queria destruir ou prejudicar o médium. E o pior é que nos centros ou terreiros onde esses médiuns trabalham o dirigente ou chefe de terreiro não consegue também identificar que essas entidades são embusteiras.
     Além disso, pelo próprio fato da mediunidade ser um efeito de karma negativo, o tipo de entidade que vai se atraído pelo médium são espíritos de baixa vibração, compatíveis com sua própria energia. O mesmo se dá com quem não é médium mas possui mediunidade dissimulada, que é a pessoa com sensibilidade mediúnica. O que essa pessoa vai sentir é a presença de espíritos pouco evoluídos ou com evolução compatível com a sua própria, geralmente espíritos com os quais possui uma relação cármica negativa, obsessores ou antigos comparsas de crimes.
     Uma das queixas dos médiuns que precisam "desenvolver" a mediunidade é que não encontram um local onde possam se desenvolver. Ou não tem um centro perto da casa, ou o que tem não é bom, ou não tem tempo por causa do trabalho, ou dos estudos, ou da família, ou o marido/esposa é contra porque não acredita nisso, etc. O que eu digo nestes casos é que encontrar um lugar onde se desenvolver faz parte do karma do médium.
     Mas o que vem a ser o desenvolvimento da mediunidade? Como o médium se desenvolve? Na prática é o seguinte: o médium tem que aprender como funciona o processo mediúnico, ou seja, como ocorrem as relações dele com o mundo astral e qual o reflexo disso na vida dele, fisica e psicologicamente. Entendendo o processo e como ele interfere em sua vida o médium pode obter algum controle sobre o fenômeno e assim eliminar ou minimizar os efeitos desagradáveis.
     Vou citar algums exemplos: já atendemos várias pessoas que tentaram o suicídio porque tinham mediunidade e não sabiam ou não acreditavam ou era contra sua religião, enfim, o que acontecia era que um ou mais espíritos desafetos dessas pessoas falavam em seu ouvido literalmente que ela devia se matar, que a vida não valia a pena, que ninguém sentiria a falta dela ou que ela não merecia viver, enfim, coisas que levavam a pessoa à beira da loucura ou depressão profunda, até culminar na tentativa de suicídio. E já atendemos vários casos também onde a pessoa não ficou apenas na tentativa, ela conseguiu se matar, por conta das vozes que ouvia.
     Como as pessoas não sabiam que tinham mediunidade, as coisas que os espíritos lhe diziam ao ouvido elas tomavam como se fossem seus próprios pensamentos. Se soubessem que tinham mediunidade poderiam questionar "seus" pensamentos e identificar que não eram seus realmente.
     Como a mediunidade é um karma que na prática ocorre por conta de alguma desarmonia em algum chacra ou outro órgão espiritual da pessoa, o médium nunca vai ter 100% de controle sobre ela. O remédio mais efetivo é o médium utilizar a mediunidade para fazer o bem, para ajudar os espíritos que estão em sofrimento nas regiões do astral inferior ou aqui na crosta terrestre. Na verdade é simples, como a mediunidade surge por termos feito coisas erradas ela só vai desaparecer, ou seja, só vamos resgatar esse karma quando fizermos coisas positivas o suficiente para contrabalançar as ruins.
     Muitas pessoas que possuem mediunidade me perguntam então se elas não podem "resolver" esse problema da mediunidade fazendo algum tipo de caridade, como trabalho voluntário, em alguma ONG, creche ou asilo. A resposta é que todo ato positivo que fazemos conta a nosso favor na lei do karma, mas esse tipo de trabalho não vai evitar que a pessoa que tem mediunidade ostensiva deixe de sentir seus efeitos. Se for um caso de mediunidade dissimulada, em decorrência de algum fato isolado na vida da pessoa, onde eventualmente ela sente ou vê alguma coisa, uma atividade caritativa não ligada diretamente com o trabalho mediúnico pode lhe ajudar sim.
     Mas pela minha experiência a grande maioria das pessoas com mediunidade ostensiva tem ligação com magia negra em vidas passadas e ai não tem jeito, sua mediunidade só vai deixar de lhe causar transtornos se esse médium realizar algum trabalho onde tenha contato com o mundo espiritual. Novamente é fácil entender o funcionamento do karma, pois se no passado a pessoa utilizou algum recurso para entrar em contato com o mundo espiritual para lograr proveito próprio ou para prejudicar outras pessoas, ela só vai resgatar isso usando o mesmo recurso hoje para promover o bem e auxiliar outras pessoas. Se no passado usou os espíritos para fins egoísticos hoje vai ter que trabalhar com eles com finalidades altruístas.
     Ainda estamos analisando a mediunidade de maneira simples, considerando apenas a questão metodológica da coisa, como ela funciona, mas a situação é bem mais complicada em alguns casos. Quem tem mediunidade tem uma propensão natural em se desdobrar, ou seja, o espírito dele sair do corpo físico. Isso pode ocorrer por vários motivos, pode ser por uma ressonância de vida passada, a presença de algum espírito obsessor, a energia de algum local, algum desejo dele próprio, enfim, a questão é que o médium se desdobra muito. Todos nos desdobramos mas os médiuns geralmente com maior frequência e regularidade.
     Esse desdobramento pode provocar a sintonia do médium com consciências dele de vidas passadas, personalidades de outras vidas dele mesmo que passam a coexistir com ele no astral. Também já atendemos vários casos onde a pessoa está desdobrada em várias frequências no astral onde alguma dessas frequências quer provocar a morte da consciência que está encarnada, ou seja, uma parte da consciência da pessoa que viveu há muito tempo atrás, em outra encarnação dela, é ativada e passa a querer dominar ou destruir a consciência atual. Já nos deparamos com casos onde essas frequências da própria pessoa conseguem provocar acidentes com a finalidade de matar seu corpo físico para que ela possa viver somente na dimensão astral.
     A vida na matéria é difícil, temos muitas obrigações e estamos sempre envolvidos com nossa sobrevivência, com contas a pagar, filhos para cuidar, trabalho para fazer, etc., e isso às vezes desperta de nosso inconsciente a memória de vidas onde éramos menos atribulados. Muitos de nós fomos magos, bruxas ou feiticeiros poderosos, reis e nobres com poder sobre outras pessoas e com riqueza que nos permitia viver apenas para os prazeres da vida. Se abrirmos uma frequência dessas de uma vida passada é fácil desejarmos viver mais lá do que aqui e se podemos ter tudo aquilo no astral porque razão viveríamos aqui no físico? Por essas razões a dimensão astral se torna a válvula de escape para muitas pessoas.
     Os desejos que as pessoas não conseguem ou não podem realizar aqui no físico acabam sendo realizados no astral. Lá encontramos senhoras respeitadas aqui agindo como prostitutas, por exemplo. Mas isso também é algo simples que ocorre no desdobramento involuntário com qualquer pessoa. Se todo problema fosse as pessoas fazendo sexo no astral estaríamos até bem. O grande problema mesmo é quando a pessoa está desdobrada no astral, sintonizada numa vida passada, ou seja, agindo com a consciência que ela tinha em outra vida e outra época, e fazendo a mesma coisa que fazia.
     Por exemplo, na vida passada a pessoa era um cientista-médico nazista e fazia experimentos com judeus em campos de concentração. Ela se desdobra e trabalha em campos de concentração no astral fazendo a mesma coisa porque lá ainda existem campos de concentração com milhares de espíritos presos; alguns mesmo reencarnados ficam com uma parte de sua consciência lá (desdobrados) porque foi uma situação de grande estresse emocional e que elas ainda não superaram.
     Nesses casos quem tem mediunidade, seja ostensiva ou dissimulada, acaba sentindo em seu corpo físico os efeitos do que está fazendo para outros espíritos no astral. Se for médium ostensivo então os efeitos são praticamente imediatos e na base do olho por olho. Essas pessoas costumam ter doenças de difícil diagnóstico ou que nunca são diagnosticadas corretamente, sendo tratadas de uma coisa, depois o médico acha que não era aquilo e assim segue sem solução. Nesses casos a pessoa só melhora aqui se ela for retirada de lá onde está no astral e os espíritos que estaverem lá tbm serem resgatados, que chamamos de "fechar a frequência".
     Allan Kardec, o codificador do espiritismo, foi muito feliz ao escolher como lema para o Espiritismo: "Fora da caridade não há salvação". Conhecedor do espírito humano e do estágio evolutivo onde nos encontramos, deixou uma receita simples de como podemos nos melhorar, que é auxiliando nosso próximo. Nenhum de nós vai deixar de ser egoísta e nem deixar de ter mais um monte de defeitos nessa encarnação então o jeito de melhorar é fazendo caridade pois quando você ajuda outra pessoa está gerando um karma positivo que vai contrabalaçar com o karma negativo que você tem acumulado.
     Ajudando o próximo estamos ajudando a nós mesmos, estamos evoluindo espiritualmente pois estamos resgatando nosso karma negativo, mesmo sem termos eliminado todos os nossos defeitos, coisa que poderemos trabalhar melhor mais tarde, no futuro, num mundo melhor ou numa dimensão menos densa. A caridade é um remédio para nos curar da miséria espiritual em que nos encontramos.
     Mas enfim, o desenvolvimento da mediunidade depende fundamentalmente do próprio médium e o meio mais seguro é inicialmente estudar sobre mediunidade. Saber os conceitos e finalidades, para identificar  os sintomas de cada tipo de mediunidade e perceber qual tipo ou tipos de mediunidade a pessoa tem. O segundo passo é encontrar um local onde possa exercitar a mediunidade, utilizá-la de maneira prática, para começar a amenizar seu karma.
     Por mais que você saiba teoricamente como se deve nadar, saiba como deve ser o movimento dos braços e pernas, e por mais que você treine em terra esses movimentos, quando cair na água a coisa é diferente. Se você conseguir se controlar emocionalmente e pôr em prática o que treinou vai ser mais fácil você não afundar e dar algumas braçadas, mas somente a prática é que vai lhe tornar um bom nadador. Com a mediunidade não é diferente, os estudos lhe fornecerão subsídios para a prática. Mas lembre que a finalidade é a prática e não os estudos, pois tem pessoas que passam a vida estudando, saindo de um curso de médiuns e entrando em outro e nunca iniciam a prática.
     Uma coisa que precisa ser desmistificada em relação à mediunidade é a questão do mentor ou guia. A maioria dos médiuns acredita que possui um ou mais mentores ou guias exclusivos. Essa história de que todo mundo tem um mentor é uma interpretação equivocada dos escritos de Kardec feita por espíritas que acreditam que a mediunidade é uma "missão" e que o médium para bem cumpri-la precisa ser assessorado por um "espírito de luz". Isso tudo é ilusão. Por conta disso qualquer espírito que aparece para o médium no início de seu desenvolvimento dando conselhos já é taxado de seu mentor ou guia.
     Então na prática o médium em desenvolvimento não tem um mentor para guiá-lo, ele mesmo é quem tem que dar o seu jeito e achar seu próprio caminho. Aliás vale ressaltar que muitos também já fracassam na mediunidade logo nessa etapa inicial pois aparece um espírito qualquer se fazendo passar por mentor dele e o leva à ruína. Geralmente esse "mentor" é um antigo inimigo do médium, um obsessor na realidade, que se finge de mentor para poder controlá-lo e o subjugar. Em alguns casos o tal mentor pode ser um mago ou feiticeiro do astral angariando energia de novatos inexperientes, sem alguma ligação mais forte com o médium, mas de qualquer forma o derruba.
     Dessa grande maioria de médiuns que acreditam ser missionários e que pensam que possuem um mentor, nenhum deles quer que o tal mentor seja um qualquer. O cara tem que ser um "espírito de luz", uma alma sábia e antiga, conhecedora de todos os segredos da vida, que na prática não resolve nada dos problemas do médium mas que tá sempre ali pra dar um conselho genérico do tipo tenha fé meu filho, o Pai é que sabe o que é melhor e similares.
     Alguns médiuns tem crédito kármico para começar bem essa tarefa, o desenvolvimento, e acabam encontrando um local onde trabalhar. Mas é comum também esses médiuns não perseverarem no trabalho. Isso ocorre porque ao começar a trabalhar corretamente num local sério e realmente assessorado por espíritos bons, os sintomas que levaram o médium a trabalhar se amenizam ou desaparecem e o médium então relaxa e abandona os trabalhos, acreditando que o problema "já passou". O que acontece com esses médiuns é que voltam a piorar depois de algum tempo e aí voltam a frequentar o centro espírita ou terreiro, e assim vai, isso se ele não se desviar e enveredar por "caminhos alternativos", onde se faz um cursinho qualquer e se passa a ser mestre disso ou daquilo ou habilitado a tudo resolver com decretos, mantras, orações e etc., se for por esse caminho aí piora bastante seu karma.
      O desenvolvimento da mediunidade é difícil e exige perseverança e dedicação por parte do médium, mas é um karma que ele adquiriu e com o qual vai ter que lidar. Se bem utilizada a mediunidade pode promover uma evolução espiritual significativa. Por outro lado, se for mal utilizada, o efeito é o contrário e o médium vai se afundar ainda mais karmicamente.

Gelson Celistre


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A mineração no Congo

      Na reunião da semana passada uma das médiuns do nosso grupo relatou que dois dias antes da reunião ela acordou de madrugada, sem sono, e resolver assistir televisão. Ela tem TV a cabo e acabou vendo um documentário no canal da TV francesa, canal que ela não costuma assistir, Ela sintonizou no canal bem no hora em que estava começando o documentário, que era sobre como são feitos os aparelhos celulares, e resolveu assistir. Entre incursões na China mostrando o trabalho escravo de crianças e adolescentes e um lago com água radioativa, um dos locais onde foi feita a reportagem foi a República Democrática do Congo.
     Mas o que impressionou nossa médium foram as imagens gravadas com uma câmera oculta mostrando a mineração em condições subumanas onde crianças trabalham praticamente em regime de escravidão. Os acidentes são comuns e os túneis precários e sem segurança nenhuma ao desabarem já servem de túmulo para os operários, pois eles nem se dão ao trabalho de retirar os corpos.  Logo depois que passou essa parte sobre a mineração no Congo no documentário o sono da médium apareceu e ela voltou a dormir.
    Um dos principais minérios extraídos nas minas do Congo é o tântalo, muito usado em capacitores eletrônicos de equipamentos de informática e principalmente em telefones celulares, mas o país também tem depósitos de ouro, diamantes, ferro e urânio,  Devido ao baixo custo de produção o minério do Congo chega a ser 50% mais barato que o de outros fornecedores e por isso todas as companhias que fabricam celulares compram deles. O país vive em guerra civil há cerca de 20 anos e estima-se que em torno de 6 milhões de pessoas morreram ou desapareceram no conflito neste período, fora os 4,5 milhões que morreram de fome. Essa guerra é financiada principalmente pela atividade de mineração.
     Oficialmente foram traficados uns 12 milhões de negros africanos para o mundo todo durante o período da escravatura mas uma estimativa mais realista aponta algo em torno de 200 milhões. Pelos números podemos deduzir que muitos milhões ainda vão morrer nesse processo kármico.

Crianças de 11 anos trabalham na extração de minério no Congo
        Ao relatar ao grupo sobre o ocorrido e em como ela ficou impressionada com a questão da mineração no Congo, resolvemos investigar o caso. Ao sintonizarmos com a situação  surgiram cenas ocorridas há muitos séculos naquela região.
     Os médiuns começaram a ver os negros sendo caçados por outros negros de tribos rivais para serem vendidos aos brancos como escravos. Esses que caçavam os outros eram muito cruéis e um dos castigos que costumavam infligir era colocar os capturados que davam muito trabalho ou que tentavam fugir em pequenos buracos, estreitos e compridos, onde a pessoa ficava em pé no buraco, mas sem conseguir quase se mexer; era praticamente como se fossem enterrados em pé. Os que sofriam este castigo defecavam e urinavam em si mesmos e muitos ficavam enterrados vivos no buraco até morrer.
     A Lei do Karma é implacável e os negros que outrora caçavam e vendiam seus semelhantes hoje vivem miseravelmente, são tratados como mercadoria e morrem do mesmo jeito que matavam os outros, ou soterrado numa mina ou de inanição, abandono ou doenças, tal qual os negros que foram escravizados. Se esses espíritos no decorrer de suas outras existências tivessem evoluído espiritualmente o resgate cármico dessas ações poderia ser diferente, mas como não houve melhora significativa o resgate é na base do olho por olho. O fato dos espíritos que foram escravizados e os escravizadores terem reencarnado na mesma região geográfica e os sentimentos de ambos não terem se modificado, apenas se revezando entre numa vida ser o algoz e em outra a vítima, mas com o mesmo sentimento de ódio, tem como consequência visível os conflitos em que o país vive atualmente;
     A médium que viu o documentário em uma de suas vidas passadas foi uma negra caçada e como tentou fugir foi colocada num desses buracos como castigo. Encontramos e resgatamos no astral uma grande quantidade de espíritos dos negros envolvidos nessa situação, tanto dos que morreram por conta dos maus tratos e castigos quanto dos caçadores, bem como dos que pereceram nos navios negreiros onde eram transportados.
     Descobrimos que esta frequência foi aberta por uma mãe-de-santo de um terreiro com o qual já nos deparamos em alguns atendimentos para que provocasse atrito entre os médiuns e o dirigente do grupo, que sou eu, devido ao seguinte fato: em uma vida passada eu tive contato com esta situação pois fui capitão de um navio pirata e trafiquei escravos negros. Vimos que além da médium que viu o documentário outro médium do grupo foi um escravo negro que teve contato comigo naquela vida e ao se abrir a frequência ele foi desdobrado e atraído para ela, onde formou um tipo de grupo de "resistência" dos negros e pretendiam atacar seus agressores, que para eles eram além dos outros negros que os caçavam, o pirata que os traficava, ou seja, eu.
     A ideia da mãe-de-santo era sintonizar os médiuns com aquela vida passada para que os sentimentos de ódio que eles tinham fossem direcionados a mim, por eu representar o inimigo que os escravizava e assim provocar antipatias e brigas entre nós do grupo, para que os médiuns deixassem de trabalhar e o grupo se desfizesse. Mas como sempre ocorre nestes casos o que era para ser um problema acaba se tornando uma oportunidade de evolução, pois pudemos resgatar muitos espíritos em sofrimento.
   
     Gelson Celistre