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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Entrevista com Exu Caveira

    O Exu é uma figura controversa e temida, talvez por ter sido associado ao diabo pela religião católica e pelas religiões cristãs pentecostais. É comum ouvirmos que Exu faz tanto o bem quanto o mal. No Candomblé Exu é um orixá. Na Umbanda original o exu trabalha sob as ordens de outras entidades, geralmente caboclos e pretos-velhos, e só faz o bem. Assim encontramos a definição de Exu na internet:

"Orixá do panteão nagô ou cada um dos entes espirituais que fazem de criados dos orixás e de intermediários entre estes e os homens, dados como de índole vaidosa e suscetível [Desde a África, assimilado pelos missionários cristãos ao diabo cristão, Exu faz tb. de entidade protetora e ligada aos ritos de divinação nas religiões afro-brasileiras.]  inicial maiúsc. Na quimbanda, no catimbó e em alguns centros de umbanda, cada um de inúmeros seres inferiores, espíritos do baixo mundo astral, cuja atividade pendula entre o Mal e o Bem."


           Minha visão de Exu se aproxima daquela da Umbanda, mas teorias à parte, na prática o que encontramos comumente, tanto em terreiros de tradição africana quanto os que se dizem de Umbanda, são espíritos sem evolução e que fazem o que forem contratados, e ainda muitas vezes mal-feito e enganando a pessoa que o contratou, como já comentamos em vários relatos.

           Num atendimento recente a distância, embora não fosse o foco da questão a ser tratada, a consulente relatou que frequenta um terreiro, disse que sonhou com Exu Caveira, e seu pai-de-santo lhe disse que esse exu era seu guia espiritual.

           Sobre guias e mentores já escrevi bastante também e não vamos nos estender nisso, mas depois de atendermos a consulente resolvi conversar com esse Exu Caveira.

      Com um comando o trouxe até nós e o incorporei num médium. Disse que queria conversar com ele, que assentiu. Ele tinha um jeito meio brabo e fiz algumas perguntas para ele:

            - Por que tu escolheu ser guia da consulenteEstá nesse terreiro há muito tempo? Perguntei.

            - Gostei da energia dela! Eu manipulo energia, tenho um poder que poucos tem, tu não tem, e eu uso para meus trabalhos, estou aqui há muito tempo! respondeu o Exu Caveira.

Certo, mas quem sabe tu me ensina alguma coisa.

            - Isso não é para qualquer um!

            - Entendi. Mas me diz uma coisa, antes de ser exu tu era o que na vida? Quem foi que te nomeou como Exu Caveira?

            - Eu não tenho vida, sou um deus, estou acima disso, não sou como vocês! Sou uma vibração, um ser mágico, tenho outra função no Universo! (me olhando com ar de superioridade).

            - OK. Embora tu não lembres, eu vou te fazer lembrar quem tu era antes.

            - Eu não quero lembrar! Não tem o que lembrar!

            - Tu vai lembrar agora da tua vida antes de ser esse Exu Caveira!

            Em seguida a esse comando meu ele já começou a lembrar da vida antes de ter se tornado exu, e a pompa com que se mantinha incorporado já desapareceu. Ele de fato não lembrava de quem ele havia sido antes pois assumiu esse papel no astral há centenas de anos.

            Ele ficou tão chocado com a própria história que não conseguia falar, mas o médium no qual ele estava incorporado estava conectado com a mente dele e me contou a história .

        Esse Exu Caveira em sua última encarnação foi traficado da África e trazido ao Brasil como escravo, aportou no Rio de Janeiro, logo no início da colonização. Era um homem alto e forte, bonito, e na sua tribo era o rei e líder religioso.

            Aqui foi colocado como reprodutor, ele não queria pois não queria gerar mais escravos, mas os donos o obrigavam e as mulheres negras das senzalas queriam muito ter um filho com ele pois ele era um rei, queriam ter um filho da linhagem dele.

            Enquanto esteve vivo ele difundiu entre os escravos sua religião, magia e costumes e era muito respeitado. Quando ficou um pouco mais velho foi substituído como reprodutor por um de seus filhos e foi mandado trabalhar na lavoura.

Apesar de não ser tão velho seu espírito havia morrido, não tinha mais esperanças, e seu corpo físico morreu algum tempo depois, de doença e fadiga. Recebeu homenagens por ocasião de sua morte em todos as senzalas da região, não apenas na fazenda onde vivia.

            No astral ele recebeu a energia dos negros que o reverenciavam e se sentiu liberto, poderia trabalhar para libertar seu povo, e logo se ligou à egrégora do Candomblé e como entendia de magia assumiu o “posto” de Exu. Após ele lembrar do próprio passado voltei a conversar com ele.

            - Então meu amigo, tu era um cara com princípios, não queria gerar mais escravos aqui, se preocupava com o teu povo, era respeitado por todos, um líder espiritual, como que daquilo tu passou a isso que tu é agora? Fazendo trabalho pra qualquer coisa por charuto e cachaça? Me diga.

            - Com o tempo eu fui me esquecendo de quem eu era...

            - Trabalhamos com uns espíritos dos teus ancestrais africanos que vão cuidar de ti agora, vai com eles.

            Apesar de nos trabalhos ele fazer magia negra e de estar ligado a vários terreiros em vários estados do país, ele não era um espírito ruim, apenas esqueceu quem ele era por conta da violência que sofreu sendo retirado à força de sua casa e escravizado numa terra distante.

            Às vezes esquecemos quem somos e no turbilhão do karma nos deixamos levar por energias que não são boas. Outras vezes queremos esquecer quem fomos, mas o destino sempre dá um jeito de nos lembrar. O pai de santo desse terreiro que a consulente frequentava era o dono da fazenda onde o exu foi escravo, embora nenhum dos dois lembrasse disso.

            Eu também não lembrava que foi o navio onde eu era o capitão que trouxe esse rei africano para o Brasil como escravo, mas séculos depois coube a mim fazer com que ele lembrasse quem ele era e resgatasse sua ancestralidade.

 Gelson Celistre

 

Um comentário:

  1. Me lembrei inclusive dos livros de Rubens Saraceni, no qual ele fala justamente sobre seres asim. "O Guradião da Meia Noite", por exemplo descreve como uma pessoa comum vai se tornando por opção mesmo, um ser que atua nas trevas como um exu. Atualmente estou lendo tmb o livro "O Senhor do Setimo Trono" de Luis Eduardo de Souza, onde fala sobre exus, tranca rua, exu-mirim....e td se inicia basicamente numa vivencia passada e com o tempo aquele espirito que muito errou tem uma nova chance de servir a luz, msm estando nas trevas. Parece que cada um tem um destino especifico, afinal ha diferentes formas de se evoluir.

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