sábado, 26 de junho de 2010

Espíritas após a morte

     Estávamos terminando nossa reunião quando pedi aos médiuns que averiguassem um sonho que tivera alguns dias antes. No sonho eu tive a impressão de que alguns membros do grupo 'morriam'.
     Acabamos descobrindo que não era nada demais, estávamos todos trabalhando num resgate durante o sono físico e já estava amanhecendo. Fomos voltando aos nossos corpos e como fui o último a voltar, a impressão que passou para o meu cérebro físico era de que eles estavam morrendo, pq eu os via desaparecer e as idéias se embaralharam. Tinha algo a ver com uma tragédia coletiva pois havia muitos escombros e pessoas desesperadas correndo de um lado a outro com as mãos na cabeça.  

Imagem do filme Nosso Lar

        Conversávamos sobre esse assunto quando uma das médiuns 'escutou' algum espírito lhe dizendo algumas frases, num tom um tanto austero, que contrasta com o clima descontraído com que trabalhamos. A entidade começou dizendo que deveríamos saber que trabalhávamos desdobrados pq havíamos nos oferecido, disse tbm que estávamos perdendo tempo com conversas ao invés de trabalhar, e começou a nos dar um 'sermão'. Disse que eu tinha que ser mais rígido com os médiuns, que devia instituir regras e as afixar nas paredes, reclamou que eles não liam as obras básicas de Kardec, e por aí vai.
     Os outros médiuns perceberam que, pelo tom, não se tratava de alguma entidade 'das nossas' e resolvemos conferir, permitindo ao cidadão que se manifestasse pela psicofonia de uma das médiuns.
     Conversando com a criatura, descobrimos que ele era espírita quando vivo. Era barbeiro por profissão em Goiás e tbm era presidente de um centro espírita. Morreu em 1932. Atualmente ele estava 'doutrinando' outros seres numa região umbralina.
     Nosso amigo acreditava que estava em 'missão' no umbral pois morrera e foi parar lá, em meio a criaturas esquisitas e, como em sua mente ele era melhor que os demais por ser espirita e dirigente de centro, só poderia estar ali em missão para salvar aqueles pobres diabos. Após trocarmos algumas ideias, pedi a ele que lembrasse de algum dos médiuns do centro onde ele era o dirigente e ele disse que lembrou de um chamado Antônio Castilho, que ele considerava bom.  
      Trouxemos esse espírito e pedi que ele o observasse e me dissesse como o via. Ele disse que via o médium remoçado, apesar de ter morrido meio velho. Perguntei quantos anos ele tinha quando faleceu em 1932 e o espírito disse que contava 74 anos na ocasião. Coloquei então um espelho para ele se ver, e ele próprio disse que parecia até mais velho do que quando morreu.
     Expliquei-lhe algumas coisas, ele foi resgatado, e tbm vários outros espíritas que estavam com ele na tal caverna. Lá de fato ele doutrinava alguns seres, mas eram todos manipulados por uma mente mais poderosa, que logo tratou de enviar a nós um ser de baixa vibração, para o qual nem demos muita atenção pois logo a equipe providenciou a incorporação do espírito que dirigia os demais.
Este chegou com ares de pompa, alardeando ameaças e o de sempre. Disse que dominava eles pelo 'medo' e que fazia isso há muito tempo.
     Conversando com ele, perguntei-lhe como ele se sentiria quando todo o medo que ele estava gerando se voltasse contra ele e o fiz sentir um pouco desse medo. Embora eu use um tom coloquial nessas conversas com estes seres, minhas palavras são comandos mentais e enquanto eu falava, direcionava para ele a energia que de medo que ele gerara. Logo em seguida ele ficou paralisado pois a quantidade de energia negativa que retornou a ele foi muito grande e a equipe espiritual o levou.
     A sintonia com este confrade espírita se deu por conta de uma das médiuns, a que o escutou, estar lendo o livro "Os dragões - o diamante no lodo não deixa de ser diamante", da D. Modesta, e estava meio impressionada com a questão dos capelinos reencarnados no seio do espiritismo.
     Muitos espíritas se equivocam acreditando que o conhecimento da doutrina espírita os situa em melhor patamar espiritual do que os demais seres humanos, mas a grande maioria sofre amargamente ao se deparar consigo mesmo no astral após a morte do corpo físico.
     Só o que nos garante uma situação um pouco melhor no outro lado é a situação do nosso coração, o quanto conseguimos nos melhorar no trato com os demais, o que realmente fizemos de bom pelo outro e não apenas por nós mesmos.

Gelson Celistre.

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