sábado, 17 de outubro de 2020

Marinheiros

    Investigando uma dor lombar de uma consulente vimos que ela tinha um gancho de pesca, do tipo que usavam para puxar peixes grandes para dentro do barco, cravado nas costas na região onde sente a dor, e que um espírito de terreiro segurava e mexia esse gancho para lhe provocar dor. 

    Retirei o gancho e puxei o espirito para saber o motivo dele estar fazendo isso e ele respondeu que era para ela voltar para o lugar dela, que segundo ele é o terreiro, pois a consulente frequentou um terreiro há muitos anos e depois de algum tempo não quis mais frequentar. O espírito disse ser um capitão-do-mato, aquele que vai atrás dos escravos fujões.



    Aproveitei a conversa e descobri que esse espírito veio escravizado da África e que trabalhou aqui numa fazenda de cana-de-açúcar que ainda existia no astral e onde havia 702 espíritos de negros ainda aprisionados. 

    Resgatamos todos e o capitão-do-mato foi junto com eles. No terreiro onde ele trabalhava o babalorixá tinha um pote com comida e uma taça com água onde fez trabalho para que a consulente voltasse para lá, segundo disse depois que entra não sai mais. Desmanchei o trabalho.

    Mas o gancho de pesca não tinha sido colocado pelo capitão-do-mato, ele estava apenas aproveitando que o objeto estava ali, e rastreei para ver de onde veio esse gancho. Encontramos uma vida passada da consulente onde ela foi um marinheiro num barco de pesca, coisa de alguns séculos atrás. 

    Numa atracagem o marinheiro conheceu a esposa de um colega do barco que lhe deu bola, e o marido dela notou. Quando zarparam novamente os dois marinheiros estavam num clima de disputa e acabaram brigando. Durante a luta a um dos marinheiros acabou cravando um ganho de pesca nas costas do outro, que acabou morrendo e foi jogado ao mar. Esse tipo de situação era comum e só nesse barco de pesca outros 10 marinheiros já haviam morrido em brigas e foram jogados ao mar. 

    O marinheiro que matou o outro com o gancho é hoje a consulente que estávamos atendendo e o mais lógico para que o gancho estivesse cravado na consulente agora seria uma obsessão por parte do marinheiro que ela matou, mas curiosamente o espírito ainda estava no fundo do mar onde foi jogado há séculos. Apesar de desejar vingança ele não tinha condições de manter o gancho na consulente então algum outro espírito estava usando a ligação kármica entre eles para fazer isso.

    Logo encontramos um ser que poderia ser considerado uma versão masculina das sereias, era uma mistura de serpente marinha com ser humano. Do troco para baixo parecia uma cobra, e para cima era humano, embora tivesse algumas protuberâncias pontiagudas na cabeça, e ele estava carregando um tridente. 

    Quando questionei quem ele era disse que era um rei, imperador soberano dos mares, e que todos aqueles que são jogados ao mar lhe pertencem. Lembrei do livro do R.A. Ranieri, Aglon e os espíritos do mar, que retrata a existência de seres como esse vivendo no fundo mar.

    Fiz o soberano dos mares voltar a forma humana, o que ele não queria, e o fiz lembrar sua última encarnação. Foi numa época bem antiga, ele era um marinheiro e estava com outros quatro homens numa jangada bem rudimentar no mar e estavam sendo atacados por um tubarão, que batia embaixo do casco da jangada com muita força e os homens estavam apavorados. 

    O motivo do tubarão atacá-los era porque um deles, justamente o "soberano dos mares" estava com o braço cortado e escorrendo sangue. Estavam todos apavorados e sem nada dizer se olharam e perceberam que tinham que jogar o que estava sangrando fora do barco e um dos quatro empurrou ele para fora, o tubarão o atacou e o devorou.

    Ele gostava muito do mar e depois de morto ficou vivendo no astral embaixo d'água, ele queria ter uma forma marinha que lhe permitisse se locomover mais facilmente e aos poucos foi se metamorfoseando até virar o "sereio" e por ter sido jogado ao mar ele se arrogou o direito de recolher quem era jogado ao mar. 

    Nos séculos que esteve em atividade o soberano dos mares recolheu mais de 5.000 almas, que foram todas resgatadas após apagarmos a mente dele, que foi recolhido e ainda não foi decidido o que fazer com ele. E adivinhem só quem foi que o jogou no mar para ser devorado pelo tubarão? Ela mesma, a nossa consulente marinheiro, numa vida anterior àquela em que matou o outro marinheiro com o gancho de pesca.

    Uma situação corriqueira pode ter por trás um enredo muito bem elaborado pelas teias kármicas e é por isso que para se fazer um bom trabalho de apometria é preciso uma equipe bem qualificada, tanto no físico quanto no astral. É preciso analisar o que é visto pelos médiuns e relacionar com a situação para ver se existe uma coerência, não basta ver e tratar um efeito, é preciso encontrar a causa.

Gelson Celistre 

    




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