terça-feira, 21 de agosto de 2012

Arquepadia

     É muito difícil pensar em termos de eternidade, geralmente nosso referencial é nossa vida material de algumas dezenas de anos. Mesmo quem acredita em reencarnação parece ter dificuldade de entender que a maioria de nossos problemas não vai se resolver nessa encarnação. Traços de personalidade que trazemos de milhares de anos e que ainda estão muito fortes em nós, dificilmente iremos conseguir dominar nessa existência.
     É uma ilusão acreditar que numa vida apenas iremos deixar de ser egoístas, vaidosos, orgulhosos, etc. Somos eternos e o tempo que levamos para nos modificar também é grande e não mudamos em uma ou duas vidas. Somos do jeito que somos há milhares de anos, há dezenas ou centenas de vidas. Nosso karma tbm é distribuído ao longo de várias e às vezes o karma que estamos resgatando em uma vida se originou centenas de anos atrás.
     A consulente que atendemos viveu uma situação que é bastante comum para a idade dela. Jovem, se envolveu com um homem pelo qual sentiu uma forte atração, mas terminou por sentir que ele não gostava dela. Após isso, “depois de quase dois meses chorando pelo termino e me sentindo um lixo com pensamento de morrer estou me esforçando o maximo para seguir minha vida mas não consigo, sinto uma tristeza muito grande em meu peito, uma dor, acordo cansada, acordo varias vezes a noite e sinto dificuldade em dormir. Sinto dor em meu corpo, dor em minha cabeça, cólicas, dores e sentimento que ate então não sentia.”
     O karma que a consulente está resgatando com este homem agora teve origem há cerca de dois mil anos, como veremos a seguir:


     Roma Antiga, Ano 14 DC

     A consulente era uma moça de uma família nobre na Roma Antiga, órfã de mãe e com um pai que lhe fazia todas as vontades. Era orgulhosa e vaidosa e mantinha presos vários homens, escravos, acorrentados uns aos outros pelos pulsos, unicamente para satisfazer sua luxúria e desejo de dominação. Ela se comprazia em poder manter esses homens à sua disposição. Seu pai tinha um cargo político de prestígio e comandava vários soldados.
      A consulente sentiu-se atraída por um deles, um oficial romano, e o tentou seduzir. O jovem entretanto, era casado, tinha um filho, e amava sua esposa. Além disso, conhecedor do caráter da jovem e da situação de escravidão que ela impunha ao grupo de escravos, a desprezava por sua leviandade e lascividade.
     Como não conseguiu seduzir o jovem oficial com seus atributos, ela procurou uma velha bruxa que vivia numa caverna e levou uma peça de roupa e sandálias de couro do tal oficial. A bruxa fez um feitiço misturando o sangue da moça aos objetos, que ela enrolou numa pele de animal e guardou. O feitiço era para que o homem ficasse com a jovem e o pagamento que ela teria que fazer à velha bruxa era lhe entregar seu primogênito, seu primeiro filho com este homem.
     O oficial romano, sem entender o motivo, começou a se sentir atraído pela moça. Em alguns momentos ele sentia raiva de si mesmo por sentir atração pela moça pois ele amava sua esposa. Mas o feitiço da velha bruxa era forte e ele acabou cedendo ao desejo de se relacionar sexualmente com a moça. Ela por sua vez planejou o encontro de tal forma que eles fossem surpreendidos pelo seu pai, que diante do fato obrigou o oficial a desposá-la.
     Quando ele contou a sua esposa o que aconteceu e que ele teria que casar com a moça, ela se suicidou. Para piorar o sofrimento do rapaz, sua esposa estava grávida quando se matou e ele só ficou sabendo depois da morte dela. A moça por sua vez tbm engravidou dele já no primeiro coito e o rapaz viveu um grande dilema, pois sentia remorso pela morte da esposa grávida mas tbm não queria abandonar a moça por ela estar tbm esperando um filho seu.
     Por várias vezes ele pensou em matar essa moça que o desgraçou mas ai lembrava que ela estava grávida dele. Pensou tbm em se matar pois não via mais sentido na vida mas não o fez por conta do filho que estava por nascer. O filho nasceu e a moça não cumpriu sua parte no trato com a velha bruxa, que era lhe entregar seu primeiro filho, e ainda para que ninguém soubesse do ocorrido, mandou matar a velha bruxa.
     No astral a bruxa passou a obsidiar o oficial até ele se matar, pois assim ela se vingaria da moça, e o fez de tal forma, perturbou tanto o rapaz que ele se matou. Depois de morto ela ainda usou o espírito do rapaz para atormentar a moça, pois ela mostrou a ele o que aconteceu e que tudo fora orquestrado pela tal moça. A jovem morreu atormentada pelo espírito do oficial poucos anos depois da morte dele, tendo tbm se suicidado, jogando-se de um penhasco. No astral ela foi escravizada por vários espíritos de homens a quem ela havia aprisionado quando viva e que já haviam morrido, até renascer novamente.
     Essa situação, que chamamos de ressonância de vida passada, começou na vida atual quando ela encontrou esse homem, que é o mesmo espírito pelo qual ela foi obcecada naquela existência há quase dois mil anos. O reencontro dos dois e seu envolvimento abriu essa frequência e fez com que a consulente sintonizasse com aquela vida passada, provocando a sintonia dos envolvidos e seu consequente desdobramento.
     No astral encontramos junto a consulente, além de alguns dos espíritos que ela tinha aprisionado naquela vida e que estavam desencarnados, o oficial (o homem com quem ela se relacionou nesta vida) e sua esposa (atual namorada do tal homem), ambos encarnados, mas tbm o feto que a esposa do oficial abortou, cujo espírito está desencarnado no momento, e tbm a velha bruxa, que estava potencializando de todas as maneiras possíveis a sintonia da moça com essa frequência para fazê-la sofrer. Os desencarnados foram retirados, inclusive a bruxa, e os encarnados enviados de volta ao corpo, depois fechamos a frequência.
      As dores no corpo da consulente eram por conta dela ter sintonizado com essa vida passada e entrado em ressonância, como alguns dos espíritos estavam desencarnados a sintonia com a consulente fez com que ela sentisse as dores deles, em parte provocadas por ela no passado. Sua relação com o tal homem tbm fez aflorar nela os sentimentos da vida passada, onde todos sofreram muito e acabaram se suicidando.
     Além dos fatores kármicos envolvidos, o jovem hoje se sentiu atraído pela consulente pq o feitiço feito há quase dois mil anos ainda estava ativo. Este tipo de fenômeno chamamos de arquepadia, do grego épados (magia) e archaios (antigo), um feitiço/magia feito há muito tempo mas que continua ativo, mesmo o "alvo" da magia tendo já reecarnado várias vezes. Desmanchamos a arquepadia.
     Isto ocorre pq o feitiço é endereçado ao indivíduo, ao espírito, e não ao seu corpo físico unicamente. Como somos seres únicos, imortais, mesmo mudando nossa roupagem material (o corpo físico) nossa energia ainda se mantém inalterada. É por este motivo que espíritos/obssessores nos encontram quando estamos encarnados, mesmo com outra aparência e num outro tempo.
     Essa frequência de vida passada da consulente foi fechada e os sintomas, se não desaparecerem totalmente, devem diminuir consideravelmente. Entretanto, ainda havia outras frequências abertas da consulente, que relatarei no próximo post.


Gelson Celistre

6 comentários:

  1. Gelson,

    Como pode uma arquepadia durar tanto tempo? Quais os fatores que influenciam numa duração tão prolongada de um processo de magia e o que pode ser feito para que a própria pessoa tenha condições de "quebrar" o efeito?

    Caio

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  2. Oi Caio,

    O que determina a duração de um feitiço é a quantidade e a qualidade das energias que são utilizadas na sua criação. Dificilmente a pessoa envolvida tem condições de desmanchar, pq não foi só a energia dele que foi utilizada, teve a energia do mago/feiticeiro e outras energias da natureza; às vezes tbm são utilizados elementais e/ou artificiais.
    Para vc ter uma idéia, recentemente me deparei com um ser que queria que eu libertasse um demônio que eu havia aprisionado em 718 AC, mediante um feitiço, e que ainda estava preso.

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  3. Realmente as energias envolvidas são poderosas.
    Agora eu lhe pergunto se há alguma relação entre a Reforma Íntima com proteção energética. Digo isso porque penso que a Reforma Íntima através da mudança dos pensamentos, das ações mais voltadas a caridade, fraternidade, amor, entre outros possa mudar o padrão vibratório do ser e criar uma frequência vibratória de proteção. É correto essa visão?

    Abraços.

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  4. Na prática nossas ações são movimentação de energias, positivas ou negativas. A reforma íntima é um processo onde a pessoa está tentando modificar suas próprias energias, aquelas arraigadas mais profundamente em seu espírito, mas esse processo não vai lhe criar uma imunidade automaticamente.
    Somente se a pessoa, realmente, se modificar a ponto de alterar sua energia é que sua proteção vai aumentar e esse aumento é proporcional ao quantitativo de energia que ela alterou, ou seja, não é pq ela está dando sopa aos pobres que vai ficar imune a qualquer obsessor.
    É preciso relacionar as energias kármicas que a pessoa está trabalhando nessa vida com o tanto que ela realmente conseguiu se modificar internamente, por isso que algumas pessoas que só fazem o bem e nessa vida são pessoas muito boas, às vezes vivem em grande sofrimento e nada em sua vida parece dar certo, é pq por mais que ela faça algo de bom, o que ela fez de ruim em outras vidas é tão forte que ela apenas consegue amenizar os efeitos do karma que está resgatando, mas não eliminá-lo totalmente.

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  5. Amigo Gelson, peço ajuda pra esclarecer minha dúvida.

    Um espírito depois de passar muito tempo no umbral, é resgatado por merecimento e levado para uma colonia espiritual onde passa um longo período no plano espiritual, considere que seus karmas são clamorosos, mas o senhor da vida em toda sua misericordia leva em consideração qualquer arrependimento de suas criaturas. Esse espírito que sofreu uma magia antiga reencarna novamente, entretanto não estamos falando de uma reencarnação compulsória, e sim de um processo todo de reabilitação moral do ser espiritual; durante sua estada no plano espiritual esse espirito deveria passar por um tratamento onde fosse quebrado essa imantação vibratória e dessa forma não reencarnar com a arquepadia ativa ainda ?

    Obrigado,
    Abraço.

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    1. Cada caso tem que se avaliado individualmente e é preciso conhecer a história do espírito ou pelo menos uma boa parte dela. Mas se fosse do merecimento desse espírito ser "aliviado" dessa arquepadia a própria Lei do Karma iria providenciar isso, e poderia ser feito no astral ou depois de encarnado.

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